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11 MAIO 2012
Entrevista: DJ MARKY
Autor: Redação Mixmag
Fonte: Mixmag


DJ Marky não precisa de muitas apresentações, a não ser que você tenha acabado de chegar ao planeta Terra. Para resumir, Marky foi o primeiro DJ brasileiro à fazer carreira internacional de sucesso e ser considerado um dos melhores DJs do mundo em seu estilo. Atualmente, se divide entre São Paulo e Londres, cidades nas quais mantém residência e se prepara para tocar no Sónar São Paulo, em uma apresentação exclusiva B2B com o DJ Patife. Conversamos com Marky sobre sua carreira, a cena atual e seus planos para 2012.

A cena eletrônica mudou drasticamente nos últimos 5 anos. Como você vê essa evolução e como você se sente em relação a isso?
Realmente a mudança foi enorme, mas acho que as mudanças são sempre para melhor, que devem ser abraçadas e vistas como algo positivo. Tive que mudar um pouco meu jeito de produzir e tocar, mas ao mesmo tempo, tento não mudar muito, já que muita gente me conhece faz tempo. Tento me manter verdadeiro para os fãs mais antigos e ao mesmo tempo ganhar novos fãs com música e técnicas mais atuais. Estou aprendendo o tempo todo, sobre eu mesmo e sobre a cena como um todo.

Você se sente ameaçado por jovens produtores que aparecem na cena a cada dia ou vê isso como possibilidades de usar sua experiência para ajudar os mais talentosos?
Não me sinto ameaçado e, ao contrário disso, me sinto energizado por essa nova leva de gente. Eles trazem à cena uma perspectiva fresca, com novas formas de fazer as coisas. Gosto de ajudar sempre que possível, dando dicas de minha experiência de mais de 20 anos trabalhando as pistas, por isso existe sim uma colaboração rolando, e isso é ótimo!

O Dubstep é um fenômeno internacional e muitos produtores de drum & bass passaram a trabalhar à 140bpm. Isso te influenciou de alguma forma?
Nem um pouco. Não me preocupo com dubstep, não tentei produzir nada assim e nem toquei em meus sets. Acho que sou um cara mais 170bpm mesmo e o material mais lento me soa estranho. E mais, gosto das melodias suaves e deep basslines que raramente se ouve no dubstep.

Conte um pouco sobre sua gravadora e os principais lançamentos. Qual a filosofia do label?
A filosofia é simples - boa música. Sei que todos que possuem ou dirigem uma gravadora têm a mesma filosofia quando se trata de música. Mas eu diria que tenho um feeling genuíno, no que se refere a música ou artistas que contrato ou trabalho regularmente, como S.P.Y., Makoto ou Random Movement por exemplo. Artistas que mantém elementos de soul em suas produções, mas que ainda sabem fazer um grande disco dance. Mal posso acreditar que estamos chegando ao nosso 50º lançamento, quero fazer disso algo especial e agradecer a todos que apoiam esse gênero musical pelos últimos 10 anos.

Fale de suas residências pelo mundo. E qual a vibe desses lugares?
As residências que eu tenho são a DJ Marky & Friends, que rolam em São Paulo, no Vegas (que fechou), e em Londres, na Fabric. As duas cidades e as duas festas são bem diferentes. Em São Paulo, o line up é puro DnB, em um club bem legal, que não é tão grande, o que gera uma intensidade forte. Fora que tem sempre um convidado internacional, como Calibre e Nu:Tone, o que torna algo especial para o público. Em Londres, podemos diversificar mais e geralmente tem algum elemento ao vivo, como uma banda ou algo parecido, que toca antes de meu set extendido de 3 ou 4 horas. O Fabric é um club grandioso, que tem bastante história, e tem duas outras pistas bombando música de qualidade em paralelo, por isso tem uma vibe mais eclética.

Lí em algum lugar que sua residência na Fabric já dura 10 anos? O que aprendeu disso?
Nunca subestime o público. As pessoas que vão à noites DnB hoje em dia, mesmo no Brasil, são mais informadas sobre a cena. E cada país tem uma identidade diferente, em termos do que as pessoas querem ouvir, por isso é necessário focar no que o povo quer ouvir. Tentar tocar o mesmo tipo de set no Brasil e em Londres, por exemplo, não funciona, pois são públicos totalmente diferentes.

Fale um pouco sobre a cena no Brasil, onde exatamente essa cena é mais forte, o tamanho e quais são os outros nomes importantes.
Tudo acontece mesmo em São Paulo, minha cidade natal. É aqui que a cena underground realmente acontece. O fato de que a cidade é tão grande significa que existem vários points bons para se escolher.
Tem alguns DJs muito bons no momento e claro,levei algums dos melhores para a Innerground, como Level2 e DJ Chap. Esses caras já têm tempo de estrada, mas só agora as gravadoras maiores estão tocando suas músicas, o que é ótimo.

Você está trabalhando em algum novo lançamento ou colaborando com alguém?
Estou trabalhando em algumas músicas novas e estou fazendo isso sozinho, na verdade. Tenho alguns lançamentos alinhados pela Innerground, relacionados ao 50º lançamento, que são DJ Marky puros. Eu ainda faço algumas colaborações com S.P.Y. e acabei de trabalhar numa música do Calibre. Mas estou tentando me concentrar em meus próprios projetos e remixes neste ano.

Fale sobre suas próximas turnês e lugares onde o público pode vê-lo tocar.
Toco no Sónar SP em maio e participo de vários shows como o Woolacombe Weekender. Depois vou para Dubai pela primeira vez e tem a Rússia no roteiro nesse verão. O ano já está muito bem encaminhado!

Quais são suas expectativas antes de tocar no Sónar São Paulo?
Será a primeira vez que toco no Sónar e estou muito empolgado. Esse é um daqueles festivais que todos querem estar envolvidos, neste ano eu farei parte e estou bem ansioso. Acho que o evento será demais, espero que esteja no mínimo lotado de baladeiros, então farei o máximo para fazer um ótimo show.

DJ Marky se apresenta num back to back DJ set exclusivo no Sonar SP 2012 no dia 11 de Maio no SonarVillage as 2:30h.

Publicado na Mixmag Brasil #13
Words: Toni Tambourine

Depois do Sònar, Marky estreia novo projeto na Liqüe

Neste sábado, dia 12 de maio, o brasileiro DJ Marky lança a noite Influences, na Liqüe Club, em Curitiba. O projeto que já tinha tomado forma no extinto Vegas de São Paulo, agora promete agitar e muito a capital paranaense. A ideia é levar aos fãs um trabalho pouco visto nas pistas e que imprime o melhor da house music, disco, rare grooves e techno funk, é claro, com pitadas de drum & bass.



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