Ser o centro de tanto hype tem sido árduo pra Jamie Jones. Eleito o nº 1 pelo site Resident Advisor, o tímido inglês veio ao país e criticou a mesmice dos DJs brasucas.
O inglês está desorientado, aprendendo a lidar com o hype. Ele é produtor e DJ há anos, tendo lançado por selos como Poker Flat (de Steve Bug, lar por muitos anos de Phonique), Crosstown Rebels, Cocoon (de Sven Vath), mas seu grande salto veio mesmo em 2011.
Eleito o DJ nº 1 do mundo no top 100 do conceituado site Resident Advisor, Jones debutou no Brasil no início do ano, esbanjando talento na edição 2012 do festival Creamfields em Floripa. Ele também deu o ar da graça no Rio Music Conference(RMC) e, de quebra, ainda tocou no club Warung.
Ser eleito o DJ Nº1 mudou sua vida?
Jamie Jones: Sim, tenho de responder a entrevistas, lidar com pessoas que me seguem, libertar um pouco minha personalidade, porque sou tímido e reservado. Mas já estou me soltando mais.
O hype te incomoda?
Cheguei até aqui com meu trabalho. As pessoas prestaram atenção no que faço - e toco pra elas. Não posso ficar vivendo de modas. Tento ser Jamie Jones 24 horas por dia. Sou o mesmo que minha família pôs no mundo.
Seus sets têm influência funky. A que se deve isto?
Toco a música que escolho. Ela tem grooves de que gosto, mas percebi que muitos DJs estão meio iguais, tocando músicas parecidas. Quando você toca algo diferente, acaba ganhando destaque. Isso rolou comigo por tocar o som em que acredito, experimentando e não copiando o que os outros tocam.
O que achou da cena brasuca?
Vi muitos DJs tocando as mesmas músicas. Ouvi poucas coisas diferentes, e até mesmo coisas que desconhecia. O Brasil está num momento muito bom em nível internacional, mas a maioria dos DJs está tocando a mesma coisa, e não importa se é underground ou comercial. Os DJs precisam pesquisar, oferecer coisas novas. Senti falta disso no Brasil.
Gostou do Rio Music Conference?
O Rio é muito bonito e propício pra este tipo de evento. A estrutura que montaram é muito melhor que outras feiras internacionais. Os organizadores estão de parabéns. O público ainda está descobrindo a feira, o mundo precisa vir pro evento, assim como os brasileiros, para fortalecer o mercado. Senti falta e mais pessoas no RMC. Espero que o evento cresça nos próximos anos. Foi uma honra ter participado de um evento assim na minha primeira temporada no Brasil.
Como é fazer parte do novo time de residentes do CircoLoco, de Ibiza?
A nova fase do club mostrou que o afterhours mais importante da ilha tem muitos seguidores e que ele faria falta, caso não tivesse retornado (dentro das novas leis do governo de Ibiza). O novo time de DJs residentes inclui Dan Ghenacia, Wild e eu. Estamos juntos com veteranos como Tania Vulcano e Clive Henry, formando uma grande família.
Quais seus planos pro Winter Music Conference de Miami deste ano?
Vou tocar em algumas festas, e a mais aguardada será em um barco para 200 pessoas. Gosto desse clima mais intimista.