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22 ABRIL 2011
Sharam conversa com a dance paradise!
Autor: Redação
Fonte: dance paradise


O DJ e produtor Sharam é ex-integrante do duo Deep Dish e ganhador do prêmio Grammy em 2001. Neste mês, Sharam entrou pro casting de radioshows da dance paradise, com o Yoshitoshi Radio, e ele, em visita aos estúdios da dance paradise, contou um pouco sobre sua carreira e seu radioshow. Confira agora a entrevista na íntegra:

 
[dp] Você foi parte do Deep Dish por muitos anos (junto com o Dubfire) quais as principais diferenças entre ter colaboração e fazer um trabalho solo?
 
[Sharam] Quando você trabalha com outra pessoa tem um par de ouvidos e opiniões extras. O bom disso é que você sempre tem alguém checando seu trabalho, ou se você cansar alguém pode continuar trabalhando e vice-versa. Quando se trabalha sozinho você tem que ser seu pior crítico e melhor fã ao mesmo tempo. É muito mais desafiador, mas em compensação também é muito mais gratificante.
 
 
[dp] Sua carreira tem quase 20 anos, nesse tempo quais as principais mudanças que você considera importantes pra ajudar a carreira de todos os DJs?
 
[Sharam] A tecnologia e todas as ferramentas existentes são apenas um reforço para o que você já faz. Mas não tem como se esquecer dos elementos fundamentais. Para alguém que tocava há 20 anos atrás e que toca hoje, eu acredito que a tecnologia não vai dar “alma”, groove, aquele toque especial que faz você se destacar. Pode ajudar, mas os fundamentos não mudam. É como dirigir, há 50 anos era bem mais difícil, mas todo mundo fazia o melhor possível, e os melhores motoristas antigamente são bons hoje. A mesma coisa acontece hoje em dia, a tecnologia avançou, os carros estão bem mais modernos e rápidos e os bons motoristas continuam sendo bons.
 
 
[dp] Qual a opinião da comunidade internacional de DJs sobre o Brasil e sua cena eletrônica?
 
[Sharam] Eu tenho muita sorte de poder vir ao Brasil e ver o que está acontecendo em primeira mão. Todos na cena têm a mesma opinião de que aqui as coisas acontecem mesmo. É um dos países que faz mais progresso no campo musical... as pessoas são realmente abertas às novidades, o público é caloroso... os clubs, os promoters, as estações de rádio e TV, todos eles apóiam de verdade a música eletrônica. Depois que você toca no Brasil, você deseja que todos os lugares no mundo sejam como aqui.
 
 
[dp] Conte uma lembrança ou história engraçada que aconteceu aqui no país.
 
[Sharam] O Brasil me traz tantas lembranças, desde sets de 12 horas no Warung, ver a loucura do carnaval, festas... há tantas. Uma em particular aconteceu no Sirena. Eu iria pegar um helicóptero para tocar às duas da manhã, mas às dez da noite me acordaram falando, temos que ir, temos que ir. E eu fiquei: pra que a pressa? E me disseram que o tempo estava virando e que tínhamos que ir antes que as nuvens fechassem o céu. E quando cheguei lá, nós tivemos que voar o dobro da altura comum que um helicóptero sobrevoa, para poder ficar acima das nuvens de chuva. Foi um pouco tenso, mas com certeza é uma coisa que você nunca esquece... voar acima das nuvens no Brasil.
 
 
[dp] Além de tocar nos clubs, sei que você tem outros hobbies e uma paixão por carros, fale mais sobre isso.
 
[Sharam] É a mesma obsessão que eu tenho pela música. É algo que eu sempre curti, eu sempre fui fascinado e inspirado por carros. É algo de infância. E eu sempre tento incorporar as coisas que me fascinavam quando jovem no que eu faço agora, na minha música. O meu álbum anterior foi todo sobre o velho oeste, com influência dos filmes de Sergio Leone e do estilo “spaguetti western”, eu tentei incorporar tudo isso no álbum tanto nos aspectos visuais como musicais. Meu novo álbum se chama Speed (Velocidade) e é todo inspirado por carros... “muscle cars” americanos dos anos 60, 70, carros europeus de corrida dos anos 70, corridas como a de Le Mans, Steve Mcqueen (ator) também foi uma grande inspiração pra tudo isso. Eu tentei incorporar tudo isso, pois eu sinto que às vezes na cena eletrônica parece que é só o DJ tocando e pronto, mas você tem que criar uma atmosfera que seja interessante para o público e diferente do que há por ai. Eu quero fazer algo diferente e criar uma nova experiência para as pessoas.
 
 
[dp] Está trabalhando em algum material novo? O que você está fazendo?
 
[Sharam] Eu venho trabalhando no meu álbum por cerca de um ano. Eu tenho um novo single chamado Fun que já está rolando no Beatport e entre os DJs há alguns meses. Mas o lançamento internacional vai ser dia 22 de maio, primeiro no Reino Unido e depois no resto do mundo. Eu acabei de gravar o vídeo pra essa música e ele vai sair em alguns dias. Ele foi inspirado no filme Bullit (1968) do Steve McQueen, que tem uma das cenas de perseguições de carro mais famosas de todos os tempos. No vídeo nós refizemos essa cena. Basicamente é nisso que eu tenho trabalhado. Claro que também tem outras tracks e colaborações acontecendo e com o tempo vou mostrar, novos singles e um novo álbum saindo mais pro fim do ano. 
 
 
[dp] Qual o conceito por trás do seu rádio show YoshiToshi? 
 
[Sharam] É algo que eu tenho feito nos últimos sete, oito meses. Comecei em uma rádio nos EUA e agora está rolando no mundo todo. A idéia principal é que eu recebo tantos materiais incríveis que não consigo tocar sempre que me apresento. Algumas músicas eu ainda consigo tocar em alguns clubs apropriados, mas outras não. Então sinto que boas músicas meio que se perdem. Eu queria ter um espaço pra mostrar essas músicas pras pessoas, divulgar esses talentos que estão espalhados por ai e mostrar os artistas da YoshiToshi. É um projeto divertido, pois eu sempre estou ansioso por fazer o show, juntar todo esse material que eu possa ou não tocar nas minhas apresentações. A maioria eu consigo tocar, afinal eu não acredito em músicas que você não toca, mas algumas vezes o tempo é diferente, não dá pra tocar uns sons mais pesados, as vezes o tempo de apresentação é limitado também, então é uma forma de expor todos esses sons.
 
 
[dp] Uma mensagem pros seus fãs brasileiros.
 
[Sharam] Continuem me amando por que eu amo vocês! É o que eu tenho a dizer... afinal eles demonstram tanto carinho e isso me inspira todas as vezes que venho aqui. O público brasileiro faz com que você se sinta a melhor versão de si mesmo, como se estivesse no topo do mundo... então sempre fico ansioso por vir aqui, me inspirar e fazer o que eu faço.


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